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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Portuários do Rio de Janeiro estão em estado de greve


Portuários do Rio de Janeiro do Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Portuários dos Portos do Estado Do Rio de Janeiro (S.T.S.P.P.E.R.J), filiado a Federação Nacional dos Portuários (FNP), estão em estado de greve. A categoria reivindica o reenquadramento no plano de cargos e salários de trabalhadores que foram prejudicados quando em 2009 a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) refez o plano de cargos e salários, ignorando o já existente e igualando empregados novos e antigos.

Nesta segunda-feira (21), a categoria participou de uma mobilização junto a União Nacional das Associações dos Participantes dos Portos em repudio à CDRJ por não cumprir o ACT 2011/2012, como o plano de cargos e salários e pela terceirização da guarda portuária. Os portuários também reivindicam o pagamento da dívida do Portus, previdência complementar dos portuários.

Ao julgar dissídio de greve, em que a CDRJ pedia a suspensão da paralisação dos portuários, a justiça propôs à empresa a criação do plano de cargos e salários, conforme cláusula 35ª do acordo coletivo de 2011/2012, que estabeleceu uma comissão para discutir o novo enquadramento. O prazo para o cumprimento da proposta é até 30 de agosto, quando haverá uma nova audiência para tratar sobre o assunto.

Fonte: Comunicação da FNP

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Justiça do Trabalho reconhece representação sindical do Sindogeesp em ação movida pela Santos Brasil - Tecon

A Justiça do Trabalho da 2ª Região/SP reconheceu a representatividade sindical do Sindogeesp sobre os operadores de guindastes, empilhadeiras e equipamentos similares que estejam trabalhando em regime de vínculo empregatício e a prazo indeterminado na atividade portuária. A decisão foi proferida pela 2ª Vara do Trabalho de Santos em ação movida pela Santos Brasil S/A, empresa responsável pelo Terminal de Contêineres do Porto de Santos (Tecon) e Terminal de Exportação de Veículos (TEV), ambos localizados na margem esquerda do complexo portuário, em Guarujá.
No processo a Santos Brasil alega que não possui nenhuma relação jurídica com o Sindogeesp em se tratando de trabalhadores vinculados, ficando, portanto, desobrigada a recolher as contribuições sindical e assistencial em favor da entidade, bem como de promover os reajustes salariais assegurados em dissídio coletivo instaurado pelo sindicato. A empresa alega que a legitimidade na representação sindical dos operadores pertence ao Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Settaport).
Na prática, a sentença prolatada pela juíza Adriana de Jesus Pita Colella desqualificou por completo a intenção da operadora portuária, que tenta na Justiça estabelecer o Settaport como representante de seus empregados. Nesse sentido, a magistrada foi enfática, "... não é a empregadora quem determina se os seus empregados que exerçam as funções de operadores de guindastes, empilhadeiras e equipamentos similares devem ou não ser representados pelo requerido", no caso o Sindogeesp. E reforça seu entendimento ao afirmar que tal decisão "cabe aos próprios trabalhadores, com ou sem vínculo de emprego".
Para o presidente do Sindogeesp, Guilherme do Amaral Távora, a decisão apenas reforça os dispositivos previstos na legislação trabalhista vigente. "O pleito da Santos Brasil é inoportuno ao afrontar o sagrado direito que o trabalhador tem para exercer sua opção de sindicalização ou associação, sem que haja prejuízo da representação da atividade profissional, que é do Sindogeesp, seja ela exercida através do sistema de trabalho portuário avulso ou vinculado".

Outro argumento da empresa rechaçado pela juíza é de que os trabalhadores avulsos são concorrentes diretos dos vinculados, razão pela qual não poderiam ser representados por um mesmo sindicato. "A vingar tal alegação, para cada trabalhador avulso deveria haver um representante diverso". Segundo ela, os trabalhadores portuários avulsos "concorrem entre si pelos postos de trabalho ofertados", portanto, sem qualquer interferência na oferta garantida aos profissionais empregados nos terminais portuários.
De acordo com o advogado do sindicato, Eraldo Franzese, a magistrada substituta da vara local agiu acertadamente ao ratificar a representatividade do Sindogeesp na atividade desempenhada pelos operadores de máquinas e equipamentos. "Foi uma sábia e segura decisão pautada, sobretudo pela coerência e pela mantença da ordem jurídica na relação capital e trabalho", disse. Em tese, a interferência patronal na questão sindical pleiteada pela empresa não foi acatada. "A Santos Brasil reivindicou, sem sucesso, o direito de negociar com o Settaport e não conosco, desconsiderando que o operador de guindaste ou de empilhadeira não deixa de ser operador pelo simples fato de ter sido contratado como empregado de um terminal portuário". Cabe recurso.

Fonte: AssCom Sindogeesp

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Federação Nacional dos Portuários e sindicatos filiados se reúnem para debater impacto das concessões no setor

A Federação Nacional dos Portuários (FNP) realiza reunião com representantes da categoria de vários estados, em Brasília, nos dias 21 e 22 de agosto (terça e quarta-feira). O encontro é para debater sobre como os portuários vão se mobilizar diante das medidas do governo federal para os portos públicos.

Divulga-se para o final deste mês o lançamento do pacote para os portos que pode resultar em concessão de portos públicos a iniciativa privada.

A Federação, enquanto entidade representante dos trabalhadores portuários, tentou diversas vezes audiências com o governo, a fim de obter esclarecimentos sobre os reflexos de tal política para a gestão dos portos e trabalhadores portuários, no entanto, a categoria não foi ouvida pelo governo.

Além das políticas governamentais para o setor portuário, será pauta do encontro a data-base 2012/2013 e 2011/2012, esta última se encerrou no último dia 1º de junho, sem que as negociações fossem concluídas, provocando perdas salariais para os trabalhadores.

O Portus, previdência complementar dos portuários, também fará parte do debate. O Portus tem dificuldades para pagar os benefícios dos participantes devido à inadimplência das empresas patrocinadoras [companhias Docas]. No total, o fundo é credor de dívida de aproximadamente R$ 4 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão devido pela União, referente à retirada de patrocínio da extinta Portobrás.

No último dia 13, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) prorrogou por mais 105 dias a intervenção no Portus, a contar a partir do próximo dia 18, as prorrogações anteriores foram de 180 dias.

A reunião será na sede da Federação Nacional dos Portuários (FNP) a partir de 9h30min no endereço SDS-Venâncio IV salas 210/212.

Assessoria de Comunicação da FNP

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Intervenção do Portus é prorrogada

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) prorrogou até 30 de novembro deste ano a intervenção no Portus - Instituto de Seguridade Social. A portaria publicada no Diário Oficial, nesta terça-feira (13/8) entra em vigor a partir do próximo dia 18.

O Portus, previdência complementar dos portuários, está sob intervenção desde agosto de 2011. O fundo de pensão tem dificuldades para pagar os benefícios dos participantes devido à inadimplência das empresas patrocinadora [companhias Docas e Superintendências estaduais e municipais].

No total, o Portus é credor de dívida de cerca de R$ 4 bilhões. Mais de R$ 1,2 bilhão da União, referente à retirada de patrocino da extinta Portobrás. Em 2009, o governo aprovou o repasse de R$ 400 milhões para permitir a continuação do pagamento de benefícios, destes só R$ 250 milhões foram repassados.

No último dia 9/8, portuários de todo o Brasil fizeram manifestação em frente às companhias Docas de cada estado em defesa do Portus.

Fonte: Assessoria de Comunicação da FNP

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Privatização da gestão portuária: governo não deve ceder aos interesses privados e de grandes oligopólios

Escrito por: Eduardo Lirio Guterra, presidente da Federação Nacional dos Portuários

13/08/2012

Os portos são totalmente operados pela iniciativa privada. Todas as operações relacionadas à passagem da mercadoria (ou de passageiros) desde o transporte marítimo até o terrestre e vice-versa são realizadas por agentes privados. Os portos brasileiros pertencem à União, cabendo a ele próprio operá-lo ou concede-lo a iniciativa privada.

No complexo portuário público, existem diferentes operadores dentro da chamada “área do porto organizado”, que é Administrada e gerida por uma Autoridade Portuária. Cabendo a ela, regular e fiscalizar as empresas operadoras portuárias na execução dos contratos, é responsável pelo controle da segurança nas fronteiras portuárias, combatendo o tráfico de drogas e o crime organizado junto às demais autoridades governamentais, pela proteção ao trabalho portuário e ao meio-ambiente, bem como, articular políticas com objetivo de promover a integração do porto com a cidade. Sem dúvidas, uma atividade tipicamente de estado.


No Brasil temos 37 Portos Públicos, dos quais, 18 são administrados por Companhias DOCAS Federais ligadas diretamente à Secretaria de Portos (SEP), 18 têm sua operação autorizada, delegada, ou concedida aos governos estaduais e municipais.

Os Terminais de Uso Privativo não oferecem os serviço público pois só movimentam suas próprias cargas. Os TUPs como são reconhecidos, foram concebidos para atender situações em que o escoamento da produção de uma empresa constitui um elo de sua cadeia produtiva, no caso, a movimentação de cargas próprias é parte da extensão da mesma. Citamos por exemplo, a Transpetro, operadora da Petrobras que possui terminais próprios, assim também como a Vale, Bunge, Cargill e tantas outras, com esse perfil. Existem hoje em operação 101 Terminais de Uso Privativo.

Os Terminais Públicos de Uso Privado, dentro da Área de Porto Organizado, são concessões privadas sempre por meio de licitações, cabendo a estes o respeito ao trabalho portuário avulso que é gerido pela iniciativa privada através dos OGMOs – Órgãos gestores de mão de obra do trabalho portuário. São estes que movimentam quase que todos os Contêineres nos portos brasileiros. Citamos a Santos Brasil, a Libra o Tecondi, a Login, e etc. Nos portos considerados mais importantes, existem estes terminais e são responsáveis pela operação de contêineres nas importações e exportações brasileiras.

Este modelo que o Brasil adotou com a Lei n. 8.630 de 1993 chama-se Landlord Port ou porto proprietário da terra, onde o governo por meio da Autoridade Portuária administra a infraestrutura (berços de atracação e desatracação de navios, píeres, dragagem no canal de acesso ao porto, etc.) sendo responsável pela gestão portuária. A iniciativa privada cabe os investimentos na superestrutura portuária (armazéns, prédios, guindastes, etc.).

Este é o modelo predominante no mundo. Holanda, Bélgica, Alemanha, Espanha e USA, para citar alguns. Só há dois casos de portos totalmente privatizados: os da Inglaterra, que durante o governo da Margaret Thatcher foram totalmente privatizados e os da Nova Zelândia, e nenhum dos dois aparecem em quaisquer estáticas que denominam a eficiência portuária mundial. Inclusive o Banco Mundial, critica o modelo principalmente pela dificuldade de se pensar e executar o planejamento estratégico do setor portuário, e a intermodalidade de um país.

Assim, causa alarme refletir sobre as notícias que estão tendo ampla divulgação na imprensa nacional acerca da suposta pretensão do governo atual de privatizar os portos brasileiros e/ou lançar pacotes para alterar a forma de concessão e funcionamento do atual modelo portuário.

Primeiramente, porque, os portos já foram privatizados, como mencionado anteriormente, a operação é privada e a administração continua sendo pública. Então, se fosse para falar em privatização novamente, teria que se falar em intensificar o grau de abertura à iniciativa privada no modelo portuário, o que significaria a venda por parte do Estado do restante do seu patrimônio, inclusive da terra e da Autoridade Portuária (AP) ao setor privado, situação que seria, no mínimo, contraditória pela própria natureza e funções desta última, com poderes de regulação e fiscalização dos operadores portuários privados na execução dos contratos.

Em segundo lugar, o negócio portuário constitui um monopólio natural, pois requer investimentos de grande porte para ser eficiente, o qual impõe uma barreira de entrada, limitando o número de participantes, e a necessidade de o Estado garantir tais investimentos. O fato de ter como contrapartida o aproveitamento de economias de escala, onde os custos fixos se diluem na medida em que aumenta a movimentação, e de que, dentro de sua área de influência, os usuários do serviço não tenham outras opções também denotam sua feição monopolística. Aqui reside também a importância do papel do Estado como agente regulador que garanta tarifas módicas e tratamento isonômico aos usuários, sejam estes grandes ou pequenos exportadores / importadores.

Pressões no sentido de mudar o funcionamento atual do sistema portuário brasileiro respondem apenas a interesses privados e grandes oligopólios, principalmente multinacionais que muito possivelmente tenham somente em vista a lucratividade dos terminais de contêineres, e liberdade total para impor preços e condições para atender as demandas do comercio exterior, totalmente desvinculados dos interesses do país, e alguns tigres de papel, que na verdade não tem condições de investir na infraestrutura e nem na superestrutura portuária sobrevivendo somente para defender interesses ilegítimos.

Até o governo do Presidente Lula, a Logística nunca foi prioridade para um projeto nacional e enxergada como uma visão de estado. A criação da Agenda Portos, do Programa Nacional de Logística de Transportes, da Secretaria Especial de Portos, da retirada das Cias Docas do PND de FHC impulsionou o setor e trouxeram uma nova visão da sociedade para a importância do Comercio exterior.

Sem contar o Reporto e outras iniciativas de incentivos ao Comercio Exterior, dados da Secretaria de Portos (SEP) indicam previsão investimento de R$ 6 bilhões 341 milhões em obras relacionadas ao PAC2 que serão concluídas até 2014. Trata-se de investimentos destinados à:

- manutenção e melhoramento da infraestrutura de portos estratégicos e complementares (dragagem de aprofundamento, ampliação de moles, construção de terminais, etc.); e

- inteligência portuária, na implantação do “Porto sem Papel”, sistemas para o melhoramento da logística, tráfego e gerenciamento de dados e o programa de gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes.

Respaldando as afirmações de que os portos brasileiros estão respondendo a política dos investimentos do Governo Federal, trazemos as seguintes informações:

- Os 18 portos federais movimentaram mais de 201 milhões de toneladas em 2011, 65% do total movimentado pelos portos públicos brasileiros. Em termos de valor movimentado pelos portos públicos, aproximadamente 63% passaram por portos federais.

- Em janeiro de 2012 o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) anunciou que em 2011 a balança comercial brasileira tinha batido recordes, a despeito da crise internacional: US$ 256,0 bilhões em exportações e US$ 226,2 bilhões em importações, valores que significam aumentos de 26,8% e 24,5%, respectivamente, em relação a 2010.

- O valor gerado pela corrente do comércio exterior (exportações + importações) superou os US$482 bilhões em valores FOB, montante que representa aumento de 25,7% em relação a 2010. Ao analisar a evolução da corrente de valor nominal gerada pelo comércio exterior desde 2003, percebe-se crescimento médio de 26,7% ao ano . O valor nominal gerado em 2003 praticamente quadriplicou em 2011.

- O comércio exterior no Brasil cresceu mais do que o PIB no primeiro trimestre de 2012. Enquanto que o produto interno bruto cresceu 0,2% em relação ao último trimestre de 2011, as exportações cresceram 6,6% e as importações 6,3%, o que aponta dinamismo no setor.

- O valor total gerado pela corrente do comércio exterior em 2011, as estimativas apontam que 79% passaram pelo conjunto de portos brasileiros. Ao considerar a movimentação por peso (em toneladas) a participação dos portos no comércio exterior passa para 95%.

- Entre 1998 e 2011 a movimentação geral de cargas nos portos e terminais brasileiros dobrou. Em 2011 foram 6,25% superior a 2010. Se considerarmos a taxa acumulada do PIB em 2011 (2,7%), pode-se dizer que o setor portuário apresentou crescimento superior a duas vezes a taxa de crescimento do PIB em 2011.

- Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2010 indicam que ao todo há 38.488 trabalhadores diretos no setor portuário, entre trabalhadores na administração da infraestrutura portuária, operação de terminais e avulsos.

- Dados da Secretaria de Portos (SEP) indicam previsão de investimento de R$ 6 bilhões 341 milhões em obras relacionadas ao PAC2 que serão concluídas até 2014. Trata-se de investimentos destinados à:

- manutenção e melhoramento da infraestrutura de portos estratégicos e complementares (dragagem de aprofundamento, ampliação de molhes, construção de terminais, etc.); e

- inteligência portuária, que compreende o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP), a implementação do “Porto sem Papel”, sistemas para o melhoramento da logística, tráfego e gerenciamento de dados e o programa de gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes.

A seguir, propomos pontos que poderão ter o respaldo verdadeiro da sociedade brasileira.

- Fortalecimento da gestão portuária pública por resultados e profissional, com a valorização dos recursos humanos e o afastamento de interferências político partidárias na administração dos portos públicos;

- Licitação dos contratos de exploração de áreas portuárias anteriores á lei 8.630/93;

- Licitação de um novo Porto em Manaus-AM, do Terminal de Contêineres em Vitória-ES e na Bahia, tendo como referencia legal o Decreto Presidencial 6.620/2008;

- Resolução definitiva da situação do Plano de Beneficio do Sistema Portus de previdência complementar;

- Mais investimento em Logística buscando o equilíbrio nos modais para facilitar o escoamento da produção, apostando nos meios de transportes que não degradam o meio ambiente, barateando os custos empresas portos.

Os portos constituem ativos estratégicos que requerem planejamento á médio e logo prazo para funcionar com eficiência, para que toda a sociedade possa se beneficiar dos seus resultados, por isso acreditamos que a Presidente Dilma não vai atender aos grandes oligopólios, que sempre se beneficiaram de um estado condescendente e que nunca contribuíram para um verdadeiro projeto de desenvolvimento econômico com distribuição de renda e justiça social no Brasil.

Publicado inicialmente no Portal da CUT