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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Portuários querem regulamentação nacional da profissão

Enviada em 27 de maio de 2010
Trabalhadores lutam também pelo cumprimento da Convenção 137 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata das repercussões sociais de novos métodos de processamento de carga nos portos

Agência T1 – Presentes nos 37 portos públicos – marítimos e fluviais – que existem no Brasil, os trabalhadores portuários são protagonistas de uma atividade que movimenta anualmente cerca de 700 milhões de toneladas das mais diversas mercadorias. A atividade portuária, depois de lutas históricas da categoria, foi reconhecida na Lei n. 8.630/1993 que trata da modernização dos Portos brasileiros e das definições da operação portuária. A partir daí houve uma divisão em relação ao sistema que gerenciava a mão-de-obra dos trabalhadores portuários avulsos do País.
Eduardo Guterra: ”As transformações ocorridas nos portos brasileiros nos últimos 15 anos trouxeram um desacerto do que é o trabalho nesses locais”
Antes da Lei 8.630, os portos brasileiros tinham disciplinamento legal para funcionamento e gerenciamento de mão-de-obra avulsa diferente do atual modelo, em que o Estado, por meio de um conjunto de normas legais, regrava o trabalho portuário. De acordo com o pesquisador Francisco Edivar Carvalho, autor do livro “Trabalho portuário avulso antes e depois da lei de modernização dos portos”, coexistiam nos portos o trabalho avulso dos estivadores; b)o trabalho avulso da capatazia como força supletiva; o trabalho avulso das atividades de conserto de carga e descarga (Lei n. 2.191/54 e Decreto n. 56.414/65), vigias portuários (Lei n. 4.859/65 e Decreto n. 56.467/65), conferentes de carga e descarga (Lei n. 1.561/62 e Decreto n. 56.367/65); e o trabalho da capatazia executado pelos empregados das Companhias Docas.

As operações de carga nos portos organizados são realizadas por duas formas: a forma avulsa, realizada por trabalhadores portuários avulsos; e a forma permanente, realizada por trabalhadores portuários com vínculo empregatício nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho. A mão-de-obra avulsa na movimentação de cargas predomina nos portos do país. O Artigo 26 da Lei 8.630 define que o “o trabalho portuário de capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, será realizado por trabalhadores portuários com vínculo empregatício a prazo indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos”. No parágrafo único, a mesma lei determina que a “a contratação de trabalhadores portuários de estiva, conferência de carga, conserto de carga e vigilância de embarcações com vínculo empregatício a prazo indeterminado será feita, exclusivamente, dentre os trabalhadores portuários avulsos registrados”. Garantir os direitos trabalhistas da categoria ainda é um dos principais desafios das entidades representativas.
Em 2010, a pauta de reivindicações da categoria busca a regulamentação nacional da profissão, além do cumprimento da Convenção 137 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Convenção, ratificada pelo governo brasileiro em agosto de 1994, trata das repercussões sociais de novos métodos de processamento de carga nos portos. Para os portuários o cumprimento dessa norma internacional significaria aos trabalhadores modificações nos métodos de processamento de carga nos portos, a aceleração do transporte da carga e reduziriam o tempo de estadia dos navios e os custos dos transportes, repercutindo no nível de emprego nos portos e nas condições de trabalho e vida desses trabalhadores.
A organização sindical é uma marca desses trabalhadores que possuem três federações de representação e aproximadamente 130 sindicatos em todo o Brasil. São cerca de 36 mil trabalhadores de acordo com a Secretaria Especial de Portos da Presidência da República, criada em 2007 como parte da proposta de modernização e melhoria nas condições de trabalho. Mas o trabalho abrangente e as dissonâncias na classificação dos profissionais, pode elevar esse número a 50 mil trabalhadores se forem considerados como avulsos, que não usufruem dos mesmos direitos trabalhistas que portuários cadastrados.
Para o presidente da Federação Nacional dos Portuários - FNP, Eduardo Lírio Guterra, é difícil mensurar o número de forma absoluta. “As transformações ocorridas nos portos brasileiros nos últimos 15 anos trouxeram um desacerto do que é o trabalho nesses locais. No meu conceito de Porto, o trabalho compreende mais do que a atividade realizada dentro do Porto. O serviço realizado fora desse Porto também deve ser caracterizado como trabalho portuário. Por essa razão eu acho que esses trabalhadores são mais de 50 mil hoje”, explica. Guterra está no terceiro mandato e também é trabalhador portuário da Companhia Docas do estado do Espírito Santo, que administra os portos públicos do estado.
Para ele a diferença entre ser trabalhador, e ter de dirigir um órgão que representa a categoria, é a visão mais ampla que se adquire das necessidades dos trabalhadores, percebendo que elas não se resumem apenas a cumprir a jornada de trabalho e voltar para casa. “Como trabalhador muitas vezes não percebemos que é preciso transporte, alimentação, cuidados com a saúde e a segurança. Muitas vezes o trabalhador não se vê como um instrumento para fazer essa disputa”, defende.
Saúde e Segurança
Mesmo com trabalhadores reconhecidos ou não pela legislação, e com a diversidade de representações sindicais da categoria, a pauta de reivindicações é semelhante. Com a modernização dos últimos anos ocorreram melhorias à atividade considerada de risco, e com esses avanços mais desafios para alcançar condições de trabalho salubres e seguras. A Norma Regulamentadora 29, em vigor desde 1997, buscou estabelecer regras às administrações portuárias que garantam um ambiente de trabalho seguro para os trabalhadores. As determinações da NR 29 buscam regular a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais, facilitar os primeiros socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis de segurança e saúde aos trabalhadores portuários.
A Norma já é considerada como um avanço para a categoria e se aplica tanto para os trabalhadores portuários em operações a bordo como os em terra. Os sindicatos concordam que ela também auxiliou na redução de acidentes. Hoje as principais causas de acidentes são impactos, ruídos, intoxicações, contaminações por acidentes biológicos, além do manuseio de cargas pesadas e longas jornadas de trabalho, na maioria das vezes são fatais. Apesar dos avanços, os sindicatos e federações ainda ressaltam a falta de sensibilidade do setor patronal para os cuidados que garantam a adequação do trabalho a essas normas. Congresso
Em outubro do ano passado, a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou projeto de Lei 3851/04, do deputado Eduardo Valverde (PT-RO), que submete os trabalhadores avulsos dos portos inorganizados ao mesmo órgão gestor de mão-de-obra dos portos organizados localizados na mesma região. A proposta define como portos inorganizados os terminais privativos contíguos, não explorados pela União, existentes fora do porto organizado, mas situados no mesmo município.
O então relator da proposta, deputado Roberto Santiago (PV-SP), defendeu que a matéria como questão de “justiça”, já que os portos inorganizados não constam da Lei dos Portos (8.630/93), gerando dificuldades de tornar essas instalações funcionais. Os deputados da Comissão consideraram a proposta uma medida de suma importância para garantir os direitos trabalhistas dos trabalhadores avulsos. Com pareceres diferentes das comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, o projeto foi encaminhado para apreciação do Plenário da Câmara na última segunda-feira, 24.

terça-feira, 1 de junho de 2010

SEP inicia em Natal mais uma dragagem no Brasil

O diretor de Planejamento Portuário da Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP), Jorge Luiz Zuma e Maia, representará o ministro Pedro Brito, que se encontra em missão oficial na Alemanha, na cerimônia de início da obra da dragagem de aprofundamento do Porto de Natal (RN). O evento acontecerá na Companhia Docas do Estado (Codern), nesta terça-feira (1º). A draga La Belle, da empresa Bandeirantes, vencedora do processo licitatório, já se encontra no local.

Com a capacidade de mil metros cúbicos, o equipamento irá aprofundar e alargar o canal de acesso do porto potiguar. A obra está orçada em R$ 34,4 milhões com recursos liberados pela SEP, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Este é mais um porto que será beneficiado pelo Programa Nacional de Dragagem, criado em 2007.

A obra de dragagem influencia diretamente na economia do estado potiguar, uma vez que o Porto poderá receber navios maiores e operar com um calado compatível com as expectativas do mercado.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria Especial de Portos

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Presidente da Federação Nacional dos Portuários participa do CONCLAT

Portos Públicos com Desenvolvimento Econômico e Justiça Social!

Com essa bandeira de luta a FNP marca presença em mais esta causa em defesa dos trabalhadores.















O Presidente da Federação Nacional dos Portuários, Eduardo Lírio Guterra, participa nesta terça feira dia 01 de junho, da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora CONCLAT),em São Paulo no Estádio do Pacaembú.
O CONCLAT tem o objetivo de discutir interesses da classe trabalhadora do País, entre eles estão : o fim do fator previdenciário e o reajuste aos aposentados e pensionistas. Outro ponto de destaque no encontro é a renovação do índice de produtividade da terra e a reforma agrária, que segundo o presidente da CUT-SP,Adi dos Santos Lima, "são dois fatores essenciais para o desenvolvimento do país e justiça social para os rurais”,ressalta.

Para os trabalhadores que compararecerão ao CONCLAT, poderão também discutir temas como as privatizações, que de acordo com Adi, são "criminosas e acontecem em todos os Estados brasileiros, principalmente em São Paulo,leiloam nosso patrimônio, e entregam nossas riquezas a iniciativa privada sem benefício algum para a sociedade”,destaca.

Diante destas questões, e principalmente em um ano eleitoral, em que diversas reivindicações dos trabalhadores merecem atenção, o presidente da FNP, representará a classe trabalhadaora portuária neste encontro.


Janara Rodrigues.
Comunicação FNP
61- 3322-3146
61-3323-5779
Para mais informações acessem o site http://www.cut.org.br/

Ministério do Trabalho encontra irregularidades nos portos de Antonina e Paranaguá

Noticiário cotidiano - Portos e Logística


Trabalhadores não usam equipamentos de proteção individual e falta controle de pessoas e de sinalização
Um operação realizada nesta semana pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em parceria com a Superintendência Regional do Trabalho, encontrou algumas irregularidades nas condições de trabalho dos portos de Antonina e Paranaguá. O objetivo era verificar se as normas de segurança e medicina do trabalho eram cumpridas e se havia controle de acesso aos portos.
As principais irregularidades encontradas foram a falta de uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), a falta de controle de pessoas a bordo de embarcações e a ausência de sinalização vertical e horizontal ao longo do cais dos portos e nas faixas portuárias.
O MPT chamou para audiências a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o Órgão Gestod de Mão-de-Obra de Paranaguá (Ogmo) e as operadoras de Ponta do Félix, de Antonina, e da Rocha Top e Terminal de Contêineres, de Paranaguá. As empresas prestaram esclarecimentos e assinaram termos de compromisso para ajustarem as condutas irregulares.
A Appa e as operadoras Ponta do Félix e Terminal de Contêineres aceitaram o termo de compromisso. Já a Ogmo e a Rocha Top pediram mais tempo para analisarem a proposta. Caso as empresas não firmem o termo, o MPT vai ajuizar ação civil pública na Justiça do Trabalho.
Em nota, a Appa afirma que essas operações do MPT são realizadas periodicamente e que a administração sempre acata as orientações e ajusta as eventuais condutas irregulares. A Appa estuda a possibilidade de realizar uma reunião ampliada, com a participação de todos os setores interessados, para discutir a segurança dos trabalhadores do sistema portuário no próximo mês.
A reportagem da Gazeta do Povo procurou representantes do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá e Pontal (Sindestiva) do Paraná, para comentarem sobre as condições de trabalho. Segundo o sindicato, a vistoria do MPT é positiva por um lado, mas envolve muitas outras situações que não foram expostas.

Fonte: Gazeta do Povo (PR)/Fernanda Trisotto

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Debate Portuário: Crise de identidade dos CAPs leva ao imobilismo

O porto corre nas suas veias. Fala sempre com muita paixão, entusiasmo e sabedoria das “coisas” do porto. Foi presidente por duas gestões, no início da década de 1990, do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga do Porto de Santos. Acompanhou “pari passu” a gestação e o parto da Lei 8.630, em 1993.



Depois de 17 anos de “prática” da Lei dos Portos, e sabendo que tudo se transforma indefinidamente, José Tarciso Florentino da Silva, bem ao seu estilo, responde à pergunta atual do debate portuário do PortoGente com ainda mais polêmica, mas com uma flecha certeira. Quem quer realmente entender e mudar, para melhor, o sistema, saberá ler Tarciso sem preconceitos para incorporar seus ensinamentos imediatamente.



Refletir se os gargalos logísticos do território portuário são também reflexo da inoperância dos Conselhos de Autoridade Portuária (CAPs) não foi tarefa difícil para Tarciso:



“O que acontece é que os CAPs, pelo menos a maioria deles, não entenderam ainda que eles são a Autoridade Portuária, juntamente com a Administradora do Porto, empresa que tem função executiva, podendo ser federal, estadual ou municipal”.

Fonte: www.portogente.com.br