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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Em decisão inédita, portuário garante o direito de continuar trabalhando após aposentadoria



Em decisão inédita, a Justiça do Trabalho assegurou a um conferente de carga e descarga inscrito no Órgão Gestor de Mão de Obra de Santos (Ogmo-Santos) o direito de permanecer exercendo sua atividade profissional portuária quando se aposentar. A garantia antecipada foi concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região/SP, que reformou a sentença anteriormente proferida pela 7ª Vara do Trabalho de Santos.
 
Desta forma, o despacho garantiu ao trabalhador avulso, ainda em atividade, a opção pela continuidade no trabalho portuário ou pela aposentadoria quando da concessão do benefício por parte da Previdência Social. A sentença retirou do Ogmo local o poder de extinguir a inscrição do conferente no registro ou cadastro da entidade, conforme previsto na Medida Provisória nº 595, publicada no dia 7 de dezembro de 2012, que revogou a Lei de Modernização dos Portos (8.630/93)
 
O texto do artigo 37, inciso II, parágrafo 3º da nova MP segue fiel e sem alterações em relação ao original previsto na recém revogada Lei de Modernização dos Portos (8.630/93). Assim, a legislação para o seguimento portuário avulso continua prevendo a extinção da inscrição do trabalhador nos órgãos gestores mediante os casos de morte, aposentadoria ou cancelamento, qual não foi o entendimento da Desembargadora Relatora, Bianca Bastos.
 
Para o presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga, Descarga e Capatazia do Porto de Santos, Marco Antônio Sanches, a Justiça do Trabalho atuou com imparcialidade quando concedeu ao trabalhador avulso os mesmos direitos do celetista. "As leis do País tratam seus trabalhadores de forma distinta dando benefícios e vantagens para alguns e ao mesmo tempo retirando de outros, o que é um grande equívoco e uma grande injustiça" De acordo com Sanches, o TRT paulista agiu corretamente e com coerência.
 
O advogado do sindicato e patrono da causa, Eraldo Franzese, ressalta o caráter e o ineditismo do fato. "O que diferencia esta decisão em relação às demais é o fato do reclamante ainda se encontrar em plena atividade e ter se antecipado ingressando com a ação trabalhista para garantir sua permanência no sistema portuário no momento em que vier a exercer o direito de se aposentar", concluiu. A decisão de garantia antecipada no trabalho avulso é a primeira no Brasil. Ainda cabe recurso.
 

Fonte: Sindicato dos Conferentes de Carga, Descarga e Capatazia do Porto de Santos

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CUT reivindica diálogo sobre Medida Provisória dos Portos



Em resolução aprovada pela Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que se reuniu em São Paulo nos dias 18 e 19, a CUT se posicionou em relação à Medida Provisória 595 que regulamenta o setor portuário. A Central vai reivindicar do governo a reabertura da discussão sobre o conteúdo da MP.

Para CUT devido tratar-se de concessão pública em um setor que exige muito investimento, além de ser potencialmente concentrador é necessário amplo debate das medidas com a sociedade e os trabalhadores.

Por Adriana de Araújo, assessora de comunicação da FNP

Leia abaixo resolução completa 

Assunto: Resolução da Executiva Nacional

Companheiros/as,

A Executiva Nacional da CUT, reunida em São Paulo nos dias 18 e 19 de dezembro de 2012, aprovou a seguinte resolução:

Passados cinco meses de mandato da atual direção da CUT e chegando ao final de 2012, é hora de avaliar nossas realizações e os desafios que teremos pela frente nos próximos anos. Demos passos significativos em relação às resoluções do 11º CONCUT com a criação dos Macrossetores da Indústria e do Serviço Público, realizamos mobilizações expressivas no Distrito Federal pela reforma agrária, pela educação e em defesa dos direitos da classe trabalhadora, assim como tivemos participação expressiva nas eleições municipais,  contribuindo para vitória de candidatos alinhados à plataforma da classe trabalhadora e comprometidos com o projeto de desenvolvimento que vem sendo construído no Brasil nos últimos dez anos.  Participamos ativamente das mobilizações que garantiram a aprovação na Câmara Federal da PEC 478/10, que amplia os direitos dos trabalhadores(as) domésticos(as). Avançamos no processo de planejamento da Central, com a conclusão da fase em que foram definidas as ações prioritárias do mandato em âmbito nacional.

Ainda há muito o que fazer.  O 11º CONCUT definiu um Plano de Lutas preciso em relação aos desdobramentos da crise internacional do capitalismo, apontando as frentes de luta em que a Central deve organizar e mobilizar a classe trabalhadora para a defesa de seus interesses imediatos e históricos. A ameaça de precarização do trabalho, apontada como um dos principais desafios a ser enfrentado pela Central, volta com mais força na agenda política  dos empresários e seus representantes políticos.

Vivemos um momento particularmente difícil. No plano internacional, a crise econômica continua tendo o continente europeu como epicentro e diferentes governos vem aplicando a política ditada pela “troika” – FMI, Banco Central europeu e Comissão Europeia – contra a qual os trabalhadores e suas organizações sindicais vem lutando. Em nome da crise têm sido adotados planos de austeridade que estão destruindo os fundamentos do Estado de Bem Estar Social e revogando direitos fundamentais da classe trabalhadora, conquistados ao longo de décadas de lutas. 

No plano nacional, A CUT vê com enorme preocupação a comoditização da produção e o processo de desnacionalização da economia, agravado pelo fato de que os centros de decisão das empresas transnacionais continuam localizados nos países centrais do capitalismo. Soma-se a isso, a apropriação de extensas áreas do territórios  pelas grandes empresas que usam da violência para expulsar povos indígenas, quilombolas e comunidades rurais, além de fazerem uso predatório dos recursos naturais, poluindo rios e contaminando o meio ambiente .

As medidas adotadas pelo governo federal geraram confronto com fortes interesses rentistas locais e internacionais. As forças reacionárias, alinhadas aos partidos que representam com mais vigor o neoliberalismo - PSDB e DEM – e à grande mídia concentrada nas mãos de poucos grupos familiares, aproveitam-se do baixo índice de crescimento dos últimos dois anos para colocar em questão gastos públicos com políticas sociais, a intervenção do Estado na economia, a expansão do seu papel regulador e da proteção à produção nacional. As entidades empresariais, particularmente a CNI, voltam a reafirmar a necessidade da desregulamentação, do estímulo à livre concorrência e da flexibilização da legislação trabalhista como medidas indispensáveis para baixar custos e aumentar a competitividade das empresas instaladas no Brasil. 
A CUT vê com apreensão acontecimentos recentes no cenário político nacional que agravam o quadro esboçado acima. A forma como o julgamento da Ação penal 470 foi transformado em espetáculo midiático deixou claro o propósito de, ao condenar sem provas dois ex-presidentes do PT dentre outros, criar um precedente para aumentar a pressão pela judicialização da política e criminalização dos movimentos sindicais e populares, sem esconder ao mesmo tempo o objetivo de influenciar o resultado das eleições municipais. Apesar da resposta ter vindo nas urnas, com a vitória expressiva das forças políticas identificadas com os governos Lula e Dilma,  são os fundamentos da própria democracia que foram atingidos: a crescente  judicialização da política e a politização do judiciário, inclusive com flagrante desrespeito à Constituição, pois o STF invadiu atribuições exclusivas do Congresso, como a decisão de cassação do mandato de parlamentares. Para a CUT tal situação coloca em questão o conjunto das instituições que deveriam ser objeto de uma profunda reforma política fruto da expressão soberana do povo brasileiro.
A CUT sempre lutou por medidas de inclusão social, de combate às desigualdades, redistribuição de renda, de combate aos juros altos, várias delas adotadas pelos governos Lula e Dilma. Ao mesmo tempo a CUT exige do governo federal atenção e resposta positiva às demandas da classe trabalhadora.  No entanto, nenhuma das reivindicações dos(as) trabalhadores(as) – isenção do imposto de renda da PLR, fim do fator previdenciário, regulação da negociação coletiva no serviço público, entre outras – foi atendida pelo governo.   Além disso,  o próprio governo desenvolveu, durante a greve dos servidores públicos, práticas antissindicais e tem adotado medidas que colocam em risco os direitos dos trabalhadores.   
A direção executiva nacional da CUT reafirma as propostas levantadas pela Central de Sistema Democrático de Relações do Trabalho como instrumento fundamental de regulação das relações de trabalho e rejeita “As 101 propostas para modernização das relações de trabalho da CNI” como base para qualquer negociação, pois elas apontam na direção da precarização do trabalho.
Levando em conta essas considerações, a direção executiva da CUT reafirma sua posição em relação ao papel que cabe à classe trabalhadora na construção da sociedade brasileira, na democratização do Estado, no fortalecimento das instituições democráticas, assim como na promoção do desenvolvimento sustentável, e  adota as seguintes resoluções:
1.      Mobilizar os trabalhadores(as) para combaterem toda e qualquer  iniciativa visando a precarização do trabalho, como a terceirização, a privatização de serviços públicos, a tentativa reiterada de fazer com que o negociado prevaleça sobre a Lei (pois a lei é o patamar mínimo de garantia de direito ao trabalhador) e a concessão de incentivos fiscais que  coloquem em risco as bases da previdência pública e solidária. Essas questões devem estar no centro das mobilizações devem ter também como referência a comemoração dos 30 anos da CUT e como ponto de partida ações nos municípios e estados, culminando com as marchas a Brasília em abril e em agosto.
2.      Impulsionar a luta pela democratização da comunicação, pelo fim do monopólio e pela construção de um novo marco regulatório que garantam liberdade de expressão.
3.      Manter a luta da CUT luta pela realização de reformas estruturais (política, tributária, agrária, do judiciário , meios de comunicação, entre outras) que a construção de um Brasil mais justo e soberano exige.
4.      Implementar nas regiões e estados as ações estratégicas planejadas com o objetivo de fortalecer a organização da CUT, a negociação coletiva, a democratização das políticas públicas, o combate à desigualdade social,  e a promoção do desenvolvimento sustentável.
5.      Reivindicar do governo a reabertura da discussão sobre o conteúdo da MP 595 / Programa de Investimentos em Logística “Portos” que trata do processo de concessão de serviço público para a iniciativa privada, envolve financiamento e subsídios públicos, propõe a reformulação de todo marco regulatório do setor, além de responder a uma enorme necessidade de investimentos, num setor potencialmente concentrador. Estas características justificam a importância de um amplo debate sobre as medidas, envolvendo a sociedade e os trabalhadores.


Executiva Nacional
Central Única dos Trabalhadores


Sérgio Nobre
Secretário Geral
Maria Aparecida Faria
Secretária Geral Adjunta

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Comissão de Acompanhamento da Intervenção do Portus se reuniu nesta terça-feira (18) em Brasília


Ocorreu, nesta terça-feira (18) às 10hs, reunião da Comissão de Acompanhamento do Processo de Intervenção do Portus na Secretária de Portos (SEP), em Brasília.  Na ocasião, a nova interventora do Fundo, Maria Batista assumiu o compromisso de manter o diálogo com os participantes e assistidos do Portus, previdência complementar dos portuários. Maria Batista garantiu que o governo federal está empenhado na recuperação do Fundo e disse não haver orientação para liquidá-lo.

O secretário executivo da SEP e coordenador da Comissão, Mário Lima, informou aos presentes que a reunião com o grupo que acompanha a intervenção não tinha sido convocada ainda por que a instituição aguardava o resultado da auditoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV).  Lima se comprometeu a informar a categoria dos resultados da auditoria e do plano de recuperação do Portus em breve.

Participaram da reunião Eduardo Guterra, presidente da Federação Nacional dos Portuários, Vilson Balthar, presidente da União Nacional das Associações dos Participantes do Portus, Odair Oliveira, presidente da Associação de Participantes de Santos e Marcelise de Azevedo, assessora jurídica da FNP.

Por Adriana de Araújo, assessora de comunicação da FNP


Na foto:Odair Oliveira – APP de Santos, Maria Batista – ( interventora) Eduardo Guterra – FNP, Vilson Balthar - Unapportus.(Da esquerda para direita)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MP dos portos trouxe surpresa aos trabalhadores portuários


A categoria pretende pedir apoio de parlamentares da Câmara dos Deputados para propor emendas a Medida Provisória 595

A Medida Provisória 595, publicada na última sexta feira (7), trouxe insatisfação aos trabalhadores portuários. A MP revoga a Lei 8.630/93 que regulamentava o setor portuário e institui uma série de medidas para atrair investimentos para a atividade.  O anúncio do programa de investimento feito pela presidenta Dilma Rousseff, no último dia (6), deixou de fora mudanças na legislação que vão impactar diretamente o trabalho portuário. A categoria pretende pedir apoio de parlamentares da Câmara dos Deputados para propor emendas à MP.

Segundo o presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Eduardo Guterra, serão pedidas mais de 35 emendas.

Das mudanças propostas na nova legislação, Guterra destacou que os portuários são contra a determinação de que o contrato de concessão se estenda à administração portuária. Para ele desta maneira o governo está abrindo para privatização da gestão portuária, o que é um retrocesso.

Outra preocupação do sindicalista é a permissão para que a iniciativa privada construa novos terminais fora dos portos organizados para movimentar carga de terceiros. Pois além de tirar cargas do porto público pode gerar precarização do trabalho uma vez que esses terminais podem contratar trabalhadores que não são portuários registrados pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) e, portanto, não têm uma série de direitos garantidos em lei.

O artigo 40 da MP reforça esse receio da categoria ao determinar que “é facultado aos titulares de instalações portuárias sujeitas a regime de autorização a contratação de trabalhadores a prazo indeterminado, observado o disposto no contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho das respectivas categorias econômicas preponderantes”.

“Esses trabalhadores devem ser reconhecidos como portuários e as negociações devem ser feitas pelos sindicatos desta categoria”, defendeu Guterra.

Ao permitir que os terminais de uso privativo executem operações portuárias sem utilizar trabalhadores registrados no Ogmo, o governo federal brasileiro descumpre a Convenção 137 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário. O fato foi denunciado pelos trabalhadores à OIT em outubro deste ano.

Os portuários contestam ainda a supressão na MP do dispositivo que previa a proibição de contratação temporária, já que a demanda eventual deve ser atendida pelos avulsos registrados no Ogmo.

Os representantes dos trabalhadores no conselho de administração (Consad) de cada porto  deixam de serem indicados pelo Conselho de Autoridade Portuária (CAP) e passa a ser regulamentado pela Lei 12.353/10. Para Guterra essa lei restringe a participação de representantes dos portuários no Consad.

Guterra questiona também, a exclusão dentre as competências da administração do porto de organizar e regulamentar a guarda portuária, pois abriria espaço para a terceirização da guarda. No entanto, o serviço é atividade fim, por isso não pode ser terceirizado.

Além de buscar apoio dos parlamentares para propor emendas a MP, a Federação Nacional dos Portuários vai encaminhar carta à Presidenta Dilma Rousseff, com as críticas da categoria ao novo modelo portuário proposto. Amanhã (12), dirigentes sindicais se reunirão, em Brasília, na sede da FNP, para avaliar a situação e tomar decisões de mobilização.

Por Adriana de Araújo, assessora de comunicação da FNP

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Recurso para o Portus é liberado

R$ 15 milhões já foram repassados para a previdência complementar dos portuários.  O dinheiro vai garantir o pagamento do 13º dos participantes

O governo federal vai liberar os R$ 150 milhões para o Portus prometido ainda no governo do presidente Lula. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, oficializou a decisão de realizar o pagamento, nesta quinta–feira (6), durante reunião com os representantes dos trabalhadores portuários – Eduardo Guterra, presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Wilton Ferreira Barreto, presidente da Federação Nacional dos Estivadores (FNE), Mario Teixeira, da Federação Nacional dos Trabalhadores Portuários Avulsos (Fenccovib) – e o deputado Paulo Ferreira.

Gilberto Carvalho informou ainda que R$ 15 milhões já foram repassados na quarta-feira (5), até o início de janeiro será efetuado novo depósito, totalizando R$ 30 milhões. O restante será pago em parcelas mensais de R$ 10 milhões.

A liberação de recurso foi anunciada também durante o lançamento do programa de investimento dos portos pelo ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino. “Quero dizer aos trabalhadores portuários que fiquem tranquilos com relação ao Portus, pois o governo já repassou recursos para garantir o pagamento do 13º e em janeiro será depositada outra parcela para dá continuidade ao pagamento dos benefícios” assegurou o ministro.

 O repasse chegou menos de um mês depois da audiência pública, realizada na Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa (CDH) do Senado, que reuniu mais de 300 portuários de todo o Brasil. Na ocasião, os trabalhadores reivindicavam além do saneamento do Fundo o aporte imediato de recursos para o pagamento do 13º dos participantes.

O Portus atende a cerca de 11 mil participantes. O Fundo está sob intervenção do governo federal desde agosto de 2011 e enfrenta dificuldades para pagar os benefícios dos participantes devido à inadimplência das patrocinadoras.

Para Eduardo Guterra a decisão do governo é resultado da mobilização e empenho da categoria e da repercussão das discussões no Senado. “A audiência pública foi fundamental para que a área financeira do governo finalmente se  sensibilizasse, liberando os recursos prometido ainda no governo Lula”, destacou.

A Federação Nacional dos Portuários agradece aos sindicatos filiados, à União Nacional das Associações dos Participantes do Portus (Unapportus), a todas associações de participantes, à FNE, à  Fenccovib, ao senador Paulo Paim,  ao deputado, Paulo Ferreira pelo empenho na luta. 

Por Adriana de Araújo, assessora de comunicação da FNP